ZAPOESIA | Todyone

Seja bem vindo sol, entrando em minha janela...
Clareando o ambiente e deixando a paisagem mais bela

Como naquele dia hoje estou firme e disposto...

Com confiança e sem mentira e um sorriso no rosto

Começou de novo e temos um grande dia...

Pra fazer dele diferente sempre com energia

A harmonia que eu tenho não me deixa cair..
.
E a cada dia que passa me sinto evoluir

Se olhar nos meus olhos sabe da minha verdade...

Que me faz me sentir homem e não ser covarde

Nesta cidade estressada e fora do normal...

Mas paro escrevo minha poesia marginal.

Sei que não sou o tal, mas eu não sou normal

Eu fujo do comum, e vivo no surreal...
Então que tal se você também esta disposto

Então arruma essa tua cara e bota sorriso no rosto

Não to louco, mas to fora de tristeza tipo dando bom dia

Retornando a gentileza de quem sabe quem sou, e sabe do meu amor

Que me ouve e entende e confia no meu flow...

Muita gente quer ver minha decepção mas vacila pois não tem um pingo de opinião

Fica boiando na ata de discutição e quando é que to falando fica de cara no chão!

ENTÃO VAI LÁ SOLTA ESSE SORRISO PRA MIM 

A VIDA É DIFICIL NÃO É DE HOJE QUE É ASSIM

SE VOCE TEM UM SONHO ENTÃO SE TEM QUE CORRER 

POR QUE PRA ELE SE REALIZAR SÓ DEPENDE DE VOCE 

Só depende de você essa é a minha verdade...

Então corra não vire um escravo na sociedade

Sinceridade é uma coisa que carrego e tenho e nessas minhas poesias mostro o meu desempenho

Precisou de mim, pode chamar que eu venho

Não tenho nada! Mas amo as poucas coisas que tenho...

Mas eu não lamento sei que o processo é lento

Eu pego os livros e vou lendo e confio no talento que tenho...

Assim vai nascendo minha conquista em busca que o meu som talvez assim toque nas pistas

Às vezes penso que não é tão necessário

Como os caras que tocam e continuam sendo otario...
Pelo contrario de tudo que se pensava

Todyone segue a batida na rima só na levada...

Não quero nada, mas sei do meu compromisso

Pois me dou por satisfeito quando vejo o teu SORRISO...



Zapoeta Todyone, zapeão de abril

ZAPOESIA | TEMPO REGULAMENTAR, POR MARCELO FERRARI

TEMPO REGULAMENTAR


Parecia xerox. Todo dia era o mesmo dia. Todo dia eu tinha que ir no cartório autenticar aquelas cópias heliográficas. Pra agilizar, nem tirava o capacete, entrava parecendo astronauta. Ninguém reparava. Eu era só mais um motoboy pra somar com a penca que já estava na fila. Aliás, nós nem eramos motoboys, éramos um dia no cartório, éramos o lado de fora do balcão. O lado de dentro eram os robôs carimbadores. Pá-pum, pá-pum, pá-pum, pá-pum, próximo. Pá-pum, pá-pum, pá-pum, pá-pum, próximo. Porém, não éramos os únicos frequentadores. Haviam pessoas que chegavam com um brilho destoante nos olhos. Pessoas que pareciam enxergar na mesmisse de balcões, mesas, papeis, carimbos e capacetes, algum tipo de paraíso invisível pra nós. Chegavam sorridentes, perfumadas e nem entravam fila, iam direto pra sala "casamentos". Pelo vidro da porta, enquanto estas pessoas (noivos) assinavam os documentos, não era difícil ver o escriturário coçando o saco e olhando no relógio, louco pra chegar a hora do almoço. Pros noivos, aquele era o dia. Pros padrinhos de aluguel (funcionários), aquele era um dia, apenas mais um, no qual se empenhavam bravamente pra transformar em menos um. Foi num dia desses que entendi que toda agenda tem 365 dias, mas nem todo dia está na nossa agenda. Ontem, 08 de dezembro de 2011, foi o dia que entrou vários dias na minha agenda. Ontem foi o dia que durou sete e que fez meus ponteiros andarem no sentido anti-horário. Hoje é depois do dia. E o relógio voltou ao tempo regulamentar.

Passa tudo na vida, tudo passa, mas nem tudo que passa a gente vive.

“Passa tudo na vida, tudo passa, mas nem tudo que passa, a gente esquece”. Mote dado por Das Neves Marinho, em outubro de 1980, num festival de repentista em Viçosa/CE.

Ciclo - Zapoeta Flavio Serafin

Guardião dos limiares
De todas as direções
Moradores do caminho
Vigia dos portões

Dos portais pra outros mundos
Segredos e visões

Guardião do anoitecer
O mistério da escuridão
Alumia, alumiai
Para essa transição

É a morte em cada dia
É também alvorecer
É o mundo em procissão
É morrer
E renascer




Zapoeta - Flavio Serafin

Desalienados e Vertigem - Zapoeta Marilia Domingues

Desalienados

Laço azul,
vida azul.
E este céu em mim, tão grande,
já se faz luz, como imensidão de mar.

Já posso respirar,
já posso viver.
Meus olhos abertos, tão estelares!
amor liberto, tão volúpia...
minh'alma, fogo.
E mãos livre... ação!


Vertigem

Meu calor
meu amor... querido
contigo estou
e fico.

Em sol noturno,
céu se faz.
Em planetas e luas,
traz.

Deuses nossos
casas nossas
amor nosso...

Luar estrelado
máguas de um ser enluarado
Monções amantes, caintes...
luzeira.

Olhares tão perdidos,
já se encontraram...
sorriso, já a toa
E seu amor, seu calor, em minha alma já
ecoa.

Faz o que quer,
és quem és.
E amo,
e clamo...
e fico.

Eterno luz
de minh'alma em cruz
te trago aqui
aqui permaneço
já luz.
Zapoeta - Marília Domingues

DO YOU KNOW WHAT TIME IT IS?

Do you know do you know what time is it?
você sabe você sabe que horas são?

It's time you know a new MC!
É hora de conhecer um novo MC!

Brejeiro you call new MC
Brejeiro você se chama o novo MC
In the battle the best.Poetry
Na batalha o melhor. Poesia

Big style you looking for ...
Big style você procura...

So follow me
Então siga-me

Do you know what what time is it?
você sabe que horas são?

It's time you know a new MC
É hora de um novo MC

Who fight with me you'll feel a shock
quem luta comigo sentirá um impacto

'Cause I have 'cause I have too much luck
Porque eu tenho porque eu tenho muita sorte

Tonight tonight I am a super shock
esta noite esta noite eu sou o super shock

I'll say for you ... you no wrong...
Eu digo a você ... não se engane ...

Look for me again ... I'm a very strong
Olhe pra mim novamente ... EU SOU MUITO FORTE

I treat the words ... like I play ping pong
Eu trato as palavras ... como jogo ping pong (
tirando uma onda)

And these books is mine ... bye bye ... so long
E aqueles livros são meus ... bye bye ... há
tempos

Do you know ... do you know...
Você sabe ...
I feel so good... I feel so good ...in this party
Eu me sinto tão bem... eu me sinto ...tão nessa festa

'Cause Where I can show ... my art
Porque ...onde posso mostrar minha arte

I have I have a Dodge Dart
Eu tenho eu tenho um Dodge Dart

And in this game I play to start
E nesse jogo eu jogo pra iniciar

MC Brejeiro

A NOITE TE CONVIDA

África mãe, Brasil filho
O leite do mundo habitou as suas tetas
Mamilos perfeitos acalentados de açoite.
Seu ventre, sempre foi livre
Gerando toda a história desse universo mal agradecido
Se ser mãe é dádiva de Deus
Então a África é o berçário onde Ele nasceu.
Suas crianças, dotadas de grande picardia
Lançaram ao mundo variadas culturas.
A noite recente, traz o eco da trilha sonora daquele tempo
Tambores confeccionados pelas mãos arquitetas do mundo.
Metralhadoras, fuzis e armas químicas
Deitarão no seu colo para dividir o espaço com as rosas vermelhas.
E os amores não correspondidos, se contentarão ao seu lado
Corações sujos que me lembram as pedras
Hipérbole da herança maldita, que umedece e goteja em pequenos ventres
Multiplicando assim, a desgraça e mal vivida vida.
Vida que alimenta a feijoada, vida que swinga o carnaval
Vidas de mãos feridas que tocam os instrumentos... Umbanda, candomblé.
Tragam-me a garrafa com o líquido da cultura nordestina
Vou me embriagar desse sincretismo puro e natural.
Noite! Termo abstrato que absorve o sentimento africano
África mãe, áfrica pai, áfrica.
Sinônimo de negro.
Ovaciona o seu hino de raiz
E que a recitação voe até a audição desses espíritos maléficos
Âmago sem cultura.
África! Sou larápio de cena
Que cutuca a sua bonança, com palavras egocêntricas
Venha mãe, dance comigo o batuque atual
Porque nas nossas festas noturnas, a sua entrada é franca
Então ginga, o batuque atual.
E que cada gesto teu, tenha um pedaço de desdém
Venha mãe, pois a noite... Te convida pra dançar.


ZAPOETA - Sacolinha

SENHOR DA LIMPEZA

Sou o senhor da limpeza minha função é tornar a cidade uma beleza.

Um lugar que não haja sujeira, que não exista encardido pelo caminho, chão branquinho. Comigo tudo ficarás puro e limpo, um campo limpo sem ângela, sem miriam e sem missionária em um grande Olimpo. Juntarei toda a bela Cintra num monte azul igual no sul com mariana, madalena e Ana rosa formando a árvore genealógica da família verde e azul.

Joga água lá pra cima! Vem, vem chegando a faxina! Varre, varre! Vou varrer! Ta me olhando assim por quê? Estou trabalhando e você? Vá pra lá! Onde ninguém possa te vê, lá sim poderás viver!

Vou tirar da Augusta a angústia da puta que pariu os filhos do café que agora abriga os da cana que parecem o povo de Gana que vêm no arrasta-pé.

Na paulista vou deixar a Bela Vista com o branco casarão e o negro barracão vai-vai lá pro Capão com o seu Bixigão. Só consolação, os jardins, os pinheiros, os campos belos. E uma nova Luz repleta de lírios amarelos com missa de Frei Caneca abençoando esse novo castelo.

Tenho que deixar essa praça, sem mancha, sem jaça. A República vai parecer Colônia. A garoa vai cair como neve sobre cedros, igualzinho na Polônia.

A palavra de ordem é revitalizar, ou seja, desanuviar, clarear. Uma política que realmente se diga; transparente. Aliada com o meio ambiente em uma separação por cor, reciclando idéias arianas que o socialismo ofuscou. Pela maneira mais correta e disciplinar da coleta seletiva também apagarão dos muros grafite e pichação e no lugar reprodução de obras renascentistas. E frases de Goethe e Nietzsche, educando os leigos pobres e tristes

As fachadas dos comércios terão estética refinada, referência a Bauhaus e sua arquitetura fascinada. Vidraças, cerâmica germânica. Nas rádios só se escutarão canções wagnerianas ditando um novo ritmo para o avanço da raça humana.

Ruas imaculadas moradores sentirão orgulho de residir e poder dar um passeio ver o asseio de madrugada ao lado de pessoas polidas e bem asseadas. E para completar esse lindo processo de higienização só faltarás adotar como idioma local: o alemão.


ZAPOETA - Emerson Alcade



CAIXA PRETA

Cérebro
Encéfalo Cerebelo
Lóbulo
Rótulo Secreto
Império de Tristezas e Dores
Cemitério de Riquezas e Amores
Centro de Todo Mistério
Monastério de Toda Vida
Inferno dos seus Afetos mais Ínfimos
Eterno em seus Sonhos mais Íntimos
Ilha de Sortidas Superações
Armadilha de Repetidas Limitações
Inquieto Cérebro
Move-se Retorce
Comove-se Contorce
Membrana em Caixa Óssea
sobre o Tronco
seu Trono, a Cabeça
Crânio
Corredeiras de Pensamento
por Artérias e Pequenas Veias
Sobrevivem Neurônios
Indefesos e Antônimos
Suas Duas Metades
Direita e Esquerda
Brigam a Vida Inteira
para Manter a Paz.

ZAPOETA - Alê Vaz Machado
http://alevazmachado.blogspot.com/

Tempos modernos

Escritas dos tempos modernos...
relatam verões que viraram invernos...
foices e martelos...
romanos de hoje vestem ternos...
manchando de vermelho o verde e amarelo..
castas que impedem a evolução...
põem na masmorra uma nação...
desde sua fundação...
corra ou morra por inanição...
de amor...respeito e atenção
felicidade tá no prêmio de 1 milhão
chapéu atolado tirou-lhe a visão
Na morte e por que não na vida??...
todos somos iguais
Caranguejo é que anda pra trás
Meu sonho de consumo é a paz
Se a arte imitar a vida
A poesia fica ácida e o quadro cinza
Marcha fúnebre pro palhaço ranzinza
Ciclo vicioso…efeito contagioso
Meia e cueca faz a vez de bolso
Relaxei mas não cheguei ao gozo
No espelho vi a cara do bozo
É oito ou oitenta
Frases otimistas estampam camisetas
Soldados do bem portam escopeta
Pro olho alheio colírio de pimenta
Lágrimas porque o filme é triste
Passarinho na gaiola tem que cantar
por água e alpiste
O coração é duro…resiste
A fe tá de muleta…mas persiste
O sangue é caiçara…acredite
Pros pé de breque
Meu dedo médio em riste!

escrito por Tubarão

http://www.dulixo13.blogspot.com/

Primeiros e Primeiras

O primeiro dia
O primeiro tapa
O primeiro choro

O primeiro beijo
O primeiro leite
O primeiro abraço

O primeiro colo
A primeira casa
O primeiro berço

O primeiro passo
O primeiro tombo
O primeiro laço

O primeiro sim
O primeiro não
O primeiro talvez

A primeira arte
A primeira bronca
A primeira birra

O primeiro dia na escola
A primeira Tia
A primeira comunhão

A primeira cárie
O primeiro ciso
A primeira dor

O primeiro flerte
A primeira paixão
O primeiro namoro

O primeiro beijo sem língua
A primeira mão boba
O primeiro beijo de língua

O primeiro oral
A primeira transa
O primeiro gozo

A primeira foda
O primeiro fora
O primeiro furo

O primeiro amor
A primeira traição
A primeira separação

O primeiro trabalho
O primeiro salário
O primeiro assalto

O primeiro êxtase
A primeira loucura
A primeira merda

O primeiro porre
O primeiro arrependimento
O primeiro susto

O primeiro mico
O primeiro pato
O primeiro sapo

A primeira maldade
O primeiro abandono
A primeira perda

A primeira ruga
O primeiro fio branco
O primeira dentura
E assim vai...
tantos primeiros e tantas primeiras
para uma única vida!

Alice (Alê Vaz Machado)


Vamos pra Palmares

Vamos pra Palmares
Depois que a noite cair e a treva dominar
O cagueta dormir e o sentinela passar
Eu vou de novo fingir quando silencio reinar
Aí vou sorrir quando o candeeiro apagar

Trincar por cima do pano para a corrente quebrar
Desmuquifar o aço faca de cortar jugular
Arrebentar os grilhão pro meu sangue circular
Chamar os nego irmão forte pra capoeirar

Vamo rezar um duá depois do salatul ichá
Guardar palavra de Alalh amarrar no patuá
Uma estrela e o crescente para nos guiar
Vamos sentido oriente que eu conheço um lugar

Aonde não tem sinhô aonde não tem sinhá
E o nego pode comê o que o nego plantar
Onde morrer é melhor viver pra paz é lutar
'Conteça o que acontecer nóiz tamo indo pa lá

Mesmo que eu tenha que cruzar terras e mares
Eu vou pra Palmares eu vou pra Palmares
Mesmo que no caminho me sangrem os calcanhares
Eu vou pra Palmares eu vou pra Palmares

Mesmo que os inmigos contra nós sejam milhares
Eu vou pra Palmares eu vou pra Palmares
Enfrento os Borba Gato e os Raposo Tavares
Eu vou pra Palmares eu vou pra Palmares

Vamo render o capitão quebrar a louça do barão
Sacudir o casarão despojar os dobrão
Levar as filhas do sinhô que vai morrer do coração
Tocar fogo na capela e no barracão

Vamo de a pé embrenhar no meio da escuridão
E quando mata adentrar onde num entra alazão
Cor do nego vai camuflar e Allah vai dar proteção
Mãe natureza ajudará abrindo ventre e coração

Subir que nem Sucupira e confundir direção
Sem rastro os astros testemunharão
Mal da mata vai assolar e causar desolação
Inimigos no caminho todos sucumbirão

Vamo cantá uma canção hino de libertação
Antiga cantiga mandinga mantida recordação
A fé tá no tessubá promessa tá no Alcorão
Faz parte da nossa crença lutar contra a escravidão

Mesmo que eu tenha que cruzar terras e mares
Eu vou pra Palmares eu vou pra Palmares
Mesmo que no caminho me sangrem os calcanhares
Eu vou pra Palmares eu vou pra Palmares

Mesmo que os inmigos contra nós sejam milhares
Eu vou pra Palmares eu vou pra Palmares
Enfrento os Borba Gato e os Raposo Tavares
Eu vou pra Palmares eu vou pra Palmares

Mesmo que eu tenha que cruzar terras e mares
Mesmo que eu tenha que cortar serras e ares
E que meu sangue regue o chao solo de nossos lares
Pois todos quilombolas são nossos familiares

Indios e foras da lei renegados e populares
Mal quistos e mal vistos vindos de varios lugares
Você não tá sozinho por que nós somos seus pares
No levante contra bandeirantes militares

E se lealdade ao justo Rei jurares
E com as proprias mãos paliçadas cavares
Se por amor a justiça a causa amares

E por causa da justiça ao amor armares
Quando rufares tambor quando tambor rufares
Que me sangrem os calcanhares contra nós sejam milhares
É temop de defender nossas raizes milenares

Se esperamos vacilamos vamos todos pra Palmares
Mesmo que eu tenha que cruzar terras e mares
Eu vou pra Palmares eu vou pra Palmares
Mesmo que no caminho me sangrem os calcanhares

Eu vou pra Palmares eu vou pra Palmares
Mesmo que os inmigos contra nós sejam milhares
Eu vou pra Palmares eu vou pra Palmares
Enfrento os Borba Gato e os Raposo Tavares
Eu vou pra Palmares eu vou pra Palmares




Zapeão 2009 - Dugheto Shabazz


COMA


Estou na coma. Internando em zona.

Me dão lixo pra que eu coma, recuso mas vem pela sonda.
Oh, doutor, por favor, não desligue os aparelhos eu ainda respiro, pelo amor!
Meu coração ainda está batendo, o cérebro pouco, mas o que está mais valendo?

Não é emoção do que razão? Mexo também a mão, ela ainda funciona pra obra.
Então, padrinho patrão não me deixe em vão me empregue agora.
Estou meio tonto posso cair, posso andar, mas não posso sair dessa UTI.

Fios invisíveis me mantêm preso aqui!
Paralisado internamente. Sofrendo sorridente. Lutando cordialmente. O ambivalente.
Herdeiro de um passado que não passa. Uma mudança que não muda.

Uma anistia que não anistiou. Deturpou a nossa etnia. A presente distopia.
Separados concomitantemente juntos.

Olho pras paredes do conjunto e vejo a cegueira branca e vultos
Cada um em seu leito. Quem ta fazendo isso com a gente? Já não enxergamos direito.
Esse lugar parece uma colônia, mas não estou de férias, estou a trabalho
Não sou escravo, sou assalariado. Tudo está mudado.
Houve consideráveis alternâncias na terminologia quilombo virou periferia
O capitão do mato não vem a cavalo vem de blazer, é rato.

A Casa Grande e Senzala se dividiu entre Alfaville e a favela
Uns atrás das grades outros atrás das celas
A estupidez ibérica causos grandes seqüelas
Anulou nosso idioma local nos fez acreditar que dá pra vencer só pelo cultural
Com o samba, o carnaval, o tambor, o berimbau, a capoeira.
E eles estão lá controlando o petróleo assim como fizeram e fazem com a madeira
As drogas são aplicadas no meu corpo de diversas maneiras.
Estou na coma. Internando em zona.

Me dão lixo pra que eu coma, recuso mas vem pela sonda
No rádio a Bossa Nova me acalma com ela não preciso de esforço
pra ascensão o tempo passa a vida passa como um conversa na praça
Bim, bim, bom conforta meu coração. Sou narrado por um narrador distante na canção
Quer conhecer de perto a Gente Humilde? Melhor não.

Só de escutar tu tens vontade de chorar, mas quem ta aqui dentro tem vontade de estourar, se revoltar, mas uma força silenciosa nos faz brecar
A esquina é linda, tem doçura pra a classe A, B e C
Pra aqui viver só se for D e E.
A narrativa das ruínas é sussurrada com delicadeza
Mas a realidade é um horror uma tristeza.

Trocam de freqüência colocam no jogo. Futebol, cerveja, churrasco no sol.
Muda a estação e o que vem é mais injeção que altera meu raciocínio me deixando na alienação.
O hip-hop me dá choques na intenção de me tirar desse coma
As chances são poucas o tempo vai se esgotar
E o resultado, meus filhos é que irão contar.

Emerson Alcalde


ZAPOESIA "O MEU AMOR É FORTE" | FABIO BOCA

O Meu Amor é Forte

O meu Amor é forte porque ele é verdadeiro

Ou eu amo ou eu odeio, em meio a incertezas

Chaves que abrem fortalezas impenetráveis como água no óleo

Imutáveis sentimentos que simplesmente sinto

Não pego, não olho, só respiro...

Guardo pra mim os bons fluídos como uma fotossíntese

Separando o gás maléfico

Expiro só o benéfico

Simples gesto, sorriso: meu energético


O meu Amor é forte

Suporta a dor do corte profundo no peito

As marcas

Desamores, despedidas, um até mais, um adeus, sei lá...

Ele é valente e suporta a dor que precisar aguentar

Mas também não é cego

Não me apego, não venero, não amo quem não me ama

E não quero viver de lembrança chorando na cama

Lá fora há um mundo que me chama

O tempo queima como a chama de uma vela que na oração emana


O quanto o meu Amor é forte

É um tesouro precioso que compartilho com todos que querem o meu bem

Família e amigos

Disso que eu preciso, gente que está comigo

E nunca vai abandonar o barco rumo aos sonhos lindos

No calor de uma conversa no portão

Numa noite de verão, e o som batendo forte no meu coração

Inspiração e emoção jogados no vento

Fortalecendo um grande furacão


O meu amor é forte

Me leva pra onde eu quero ir

Me traz o que eu quero ter

Ás vezes fala o que não quero ouvir

Mas eu vou ver se troco idéia com a razão

Pra fazer a segurança dos meus sentimentos

Pois no fim o meu Amor é forte como a rocha

Vem a onda e explode numchoque que arranca pedaços

Mostrando que o forte não é inabalável

Do que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável


O meu Amor é forte pois eu nunca ví um Amor fraco, opaco

Se for assim não é Amor, mano, é só calor

Espere a fogueira apagar pra sentir o frio e a dor de saber que nunca amou

Mas e ae? Ficar de chapéu com as fitas? Não!

Pega aquele moletom que é pra ficar bom

Nas pistas a noite inteira e voltar de manhã cheio de marca de batom

Amor por quem? Pela vida tá bom...Tá bom! Tá bom?


Tá bom Boca, o meu Amor também é forte

Mas as luzes se apagam, quem é que vem na mente?!

O som baixa, o peito bate intensamente

Suspiros profundos

Olhos tristes não mentem

Quem sente, sente, sabe a dor que trás o Amor

O Amor que trás a dor de um forte Amor

Que é testado com dificuldade pra saber se é de verdade

O forte Amor de quem já superou outra fase.

ZAPOESIA "FÉ" | FÁBIO BOCA

A fé não tem religião


Não se prende a dogmas

E sim a força da sua oração

Janela pro teu coração

É sentir que pro pior

Ainda existe uma solução

Irmã da esperença

Que dorme inquieta

Na escuridão a chave que

Deixa a porta aberta

Precisando de um órgão

Na fila de espera

Fumando o seu tempo

Fumaça, Fé, atrás da cela

Querendo um parquinho

No lugar da favela

Não ter onde morar

Mas querer casar com ela

Plantar semente de Paz

Onde só brota guerra

É um prato de comida

Em meio a miséria

É mais que matéria

Nasce de um ideal

Surreal força que

O Medo não consegue ver

Era impossível e a Fé não sabia

Venceu explicações

Por simplesmente existir e crer

Com o passo firme

E olhar convicto exalando coragem

MUnição na bagagem pra uma

Longa viagem

Se acredita que pode dar certo

Grite pro mundo

Abra os braços

Vai de peito aberto



Sou multidão na reza

Solitário com a vela

Coragem pro incerto

A Fé que se revela

Povos,tribos,

Línguas e nações reunidas

Cada um ao seu modo

Buscando razão pra vida

Não perca de vista

Lave sua vista

Pensamento positivo:

Primeiro passo pra conquista

Acreditando em Deus

Ou somente em você

Intuição e teimosia

Pro acontecer

Força superior ao vazio

Do mundão

Hoje eu viela

Hoje eu viela
E ela mudou bastante
Mesmo ainda sem ladrilhos
De pedrinha cintilante
E vi seus filhos
Como eu antigamente
Correndo por ela
Contentes, inocentemente

Viela crescendo
Sempre sendo mão de mais alguém
Viela acolhendo
Os que nada tem e nem a ninguém
Viela dando abrigo
Pra sonho de vida melhor
Na esquina há perigo
Mas já viela pior

Viela desrespeitada
Como se fosse nada
Ate as tia enquadrada
Só por ser favelada
Viela discriminada
Viela calada
Viela lavada
De sangue na fita dada
Viela sem saída
Ou se acabar no escadão
Viela encontrando outra
Aumentando a ocupação
Viela e a população
Da favela
Um mutirão de vela
Contra a escuridão da cela
Viela desamparada
E sem endereço
Já viela alagada
E sem manjedoura pra berço
Viela mal iluminada
E cheia de lodo
Viela assustada
Vendo o bicho passar o rodo

Viela descalçada
Não se pisa sem cuidado
Pedras rolam, tombo certo
Ninguém ta desavisado
É viela, então
Vê direito
Pisa devagar
Que o bagulho é daquele jeito
Viela em barricada
Pela morte d’uma filha
Que foi executada
Por organizada quadrilha
Viela em chamas
Debaixo de tiro e gás
Anciões, bebês e damas
Sem direito à paz

Depois disso
Ainda viela mais forte que antes
Mesmo tendo filhos difamados
Como meliantes
Viela ser reconstruída
Pelos vizinhos
Viela mais unida
Não estamos mais sozinhos
Viela guardando campana
De cima da laje
Viela que na atividade
Não admite cagoetage
Viela assediada
No jornal policial
Viela interrogada
Pela seccional

Viela marginalizada
Por toda sociedade
Viela criminalizada
Por ser da comunidade
Por que ela é perseguida
Por que ela é suspeita
Será por viver a vida
Em perspectiva estreita

Se ela falasse
Um comício faria
Talvez assim melhorasse
A vida na periferia
Mas se ela se declarar
Será usado contra ela
Que não é uma alameda
É apenas uma viela

Quando eu a vi
Não foi amor ao primeiro olhar
A achava feia
Constrangedora e vulgar
Hoje eu entendo ela
E a gente que vive nela
Sem vergonha de dizer
Como eu: é nois favela

Dugheto Shabazz - ZAPEÃO DOS ZAPEÕES

Mal Bendito ou Bem Maldito


o poeta me nina
e calça pernas curtas
voando num foguete de
todas rotas todas lutas

de todos momentos
nesse instante mudo
coloque moldura no
meu pequeno descuido


Daniel Michoni


Atentado Poético

Al. Al. Alto. AL. Aljazira. Al quaeda. Alcalde
11 do 9 às 9h. Atentado aéreo as torres gêmeas.
Ho my god!
Uma torre caiu depois outra caiu
E no Egito uma família riu
E eu no Brasil, injuriado
Não consegui nesse pico deixar meu nome pixado


Teria sido eu o autor dos atentados
Seria o pixador mais caçado
Meu retrato falado espalhado
com minha foto e escrito em baixo recompensa
O principal destaque da imprensa
fugiria sem deixar pista
os repórteres iriam dizer: Essa obra é de algum esquerdista!


Refugiado na periferia
Teriam que chamar a Swat e a Cia.
Pra me prender
Sem provas culparia o PCC
E com a gravação de um vídeo gravado de celular
Postaria no Youtube e assim iria falar:
“Vocês me criaram me educaram
Com seus filmes desenhos e seriados que aqui sempre passaram
Por isso borrei sua paz de vermelho
O símbolo mais alto, assim como um espelho
Meu nome no alto vai refletir
E só assim pra vocês eu passo a existir.”


Emerson Alcalde - Zapeão 9

Zap, por Sidney Rodrigues

O zap ao contrario que muitos pensam
Que lendo ao contrario simboliza:
Alegria, descontração, amor e paz
Que aqui o símbolo de nossa paz, é nosso zap
Poetizar sobre o zap é uma zap-alegria
Porque aqui tem a energia da noite e do dia
Aqui tem reflexão de aprender e descontrair com emoção
Ser poeta e compositor não é para qualquer um
Tem que ser com amor
Se pensar na vida cheio de conflito e dor
A válvula de escape da vida é pensar no amor
Pois no nosso Brasil temos esse louvor
É a mulher brasileira a nossa linda flor

Zapoeta: Sidney Rodrigues,o poeta

À massa

M-A-S-S-A.
Massa. Amassa. A massa. À massa.
Eu sou a massa. Volumosa. Pastosa. Raça
Pega, joga, passa o rolo ôôô
Aperta eu cresço apareço pronta pro bolo
Quanto maior melhor. Espalhada mais fraca e mais fina
Fácil pra ser contada e dividida. Consumida. Massifica.

Não. Não. Não. Sou grande, mas não importante.
Sou igual ao barbante
Que serve pra amarrar e não é valorizado o bastante
Eu protejo o recheio que vai no meio
Fico na borda. Sou jogada pra escanteio
Pegam a uva passa o champanhe na taça, ai que graça!

Massa. Amassa. A massa. À massa.
Eu sou da massa vou ao estádio ver uma partida
Com a torcida é pinga, briga, pra ida economizo até na comida
Volto pra casa amassado na lotação para um bairro amontoado
Exausto no barraco sentado no sofá quebrado
Assisto a televisão fico feliz tenho a última distração
Pra mim existe uma comunicação!

Eu não sou cão eu já disse que sou massa e vou deitar
Eu como massa, preciso esfriar
Pra depois ser usada se não acabo revoltada e aí não dá
Quem fica muito quente pode queimar e estourar
Mas não sou paga pra pensar. Só enrolar, amassar, rechear.
Amanhã é segunda e tudo há de continuar
Massa. Amassa. A massa. À massa.

Emerson Alcalde
Zapeão - ZAP 9

Qual é a cor?

Quando eu era pequeno eu não sabia
Eu não sabia,eu não sabia não
Não entedia a cor,qual o valor
O porque brigar e o porque amor

Minha mãe me chamava de mestiço
A professora já dizia moreno
A vizinha falava mulato
E o meu Pai achava tudo engraçado


E minha Avó já dizia
Negro
Então que cor que eu sou
Negro

E o tambor chamou
Negro
E com muito amor
Negro
E o som é
Negro

Então sinta a condição
Sou negro ,sou raça sou cor
Com a benção dos Orixás que nos abençou
Sou negritinho ,negralha,bamba ,malungo

Eu vim da Serra da Barriga e trago muito amor
Minha cultura é milenar e travessa o tempo
Arrebentando as correntes voando com o vento
Candomblé ,quizumba,macumba,fortalecimento

Agradeço todo dia poder para o povo preto
Sou negro como Felá kuti,Jomo Keniata,Múmia Abu Jamal
João Candido,Anastácia
Ganga Zumba,Zumbi,África Bambata
Mestre Irineu,Chico Rei,Elisbão Dandara
Solano Trindade,Mestre Assis ,Aurino Bomfim
Mestre Bolinha,Conde,Kuti,Bimba,Elisa Mahin
Mandela,Mãe Menininha e o grande Tim
Acan,Polano,Cruz e Souza,Martin Luther King
Sou negro até o fim

Então que cor que eu sou ?
Negro
E com muito amor
Negro
E o tambor chamou
Negro
E o som é
Negro

Movimento Black Power,Rap,Samba,Funk,Soul
Grafite,Break,MC,DJ,conhecimento
Panteras Negras,Pixinguinha,Jackson
HipHop,Cultura de rua é movimento
Mandigueiro,Guerreiro,Quilombola,Nagô
Resistência,povo lindo,batuque Banto

A Justiça Xangô,contada pelos Grios
Caifazes,Bronx,Harley,Kingston
Cartola,Castro Alves,Clementina de Jesus
Jovelina Pérola Negra,Zé Kéti,Macus
Spyke Lee,Geraldo Filme,Lia de Itamaracá,Zulu
Rosa Parkeson,Garrincha,Bispo Tutu
Grande Otelo,Mussun,Benê,Chica da Silva
Cool Herc,Bob Marley,Mercedes Batista
Margarete Menezes,Ruthi de Souza,Nação Cambinda
E Brindamos a vida

Então que cor que eu sou ?
Negro
E com muito amor
Negro
E o tambor chamou
Negro
E o som é
Negro

Zinho Trindade
Zapeão - ZAP 8