Núcleo Bartolomeu de Depoimentos


O Núcleo Bartolomeu de Depoimentos da Cooperativa Paulista de Teatro nasce em 1999, a partir do encontro de artistas de diversas áreas motivados pela idéia de concretizar uma obra cênica hibrida, criada e executada pelos diferentes pontos de vista desses artistas envolvidos.

O projeto era uma pesquisa inspirada na obra de Hermann Mellville "Bartleby, um escrituário", e deu origem ao espetáculo "Bartolomeu, O que Será que Nele Deu?", dirigido por Georgette Fadel; a partir deste primeiro resultado algumas pessoas da primeira pesquisa se sentiram motivadas a prosseguir; surge então um longo e forte processo (realizado por ocasião da ocupação do teatro arena no projeto “harmonia na diversidade” junto com mais três coletivos teatrais) que deu origem ao segundo espetáculo, "Acordei que Sonhava", livre adaptação de "A vida é sonho" de Calderón de la Barca, dirigida por Claudia Schapira.

Entre os anos de 2003 e 2004 – no período de finalização da ocupação do arena e da estréia do espetáculo “Acordei que sonhava” , o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos desenvolveu o projeto "Urgência nas Ruas" - obras-manifesto, em forma de intervenções pelas ruas de São Paulo com o apoio da lei de fomento (primeira edição) ao teatro para a cidade de São Paulo, dirigidas e escritas por Claudia Schapira. A partir da observação das ruas, surge o quarto trabalho deste coletivo: a epopéia-híbrida-itinerante "Frátria Amada Brasil" – pequeno compendio de lendas urbanas , livre inspiração na odisséia de Homero. Na sequência,da necessidade da independência dentro do coletivo, surge o projeto “ 5x4 – particularidades coletivas”, onde cada membro do Núcleo artístico encabeçou um projeto: "Cindi Hip-hop Pequena Ópera- Rap", "Encontros Notáveis", "Manifesto de Passagem: 12 Passos em Direção à Luz", "3X3 – 3 DJs em Busca do Vinil Perdido" e "Vai te Catar!". Hoje a compahnia desenvolve a pesquisa "Pajelança de Kuarup no Congá" que dará origem ao espetáculo "Orfeu Mestiço- Uma Hip-Hopera Brasileira".

O Núcleo Bartolomeu de Depoimentos tem como foco de sua pesquisa de linguagem o diálogo entre a cultura hip-hop (com a contundência da autorepresentação como discurso artístico) e seus elementos: a dança de rua/break; o DJ – música; o mc/rapper, responsável e criador do improviso que gera ritmo e poesia – rap; artes gráficas/grafitti – feito pelo artista de rua, e o teatro épico com seus recursos: o caráter narrativo apoiado por uma dramaturgia que se configura depoimento do processo histórico, como instrumento que elucida uma concepção do mundo, e coloca o ator-narrador em face a si mesmo como objeto de pesquisa; como homem mutável; homem em processo, fruto do raciocínio, da reflexão. O Núcleo investiga e investe na formação do ator-mc (artista nascido a partir desse casamento estético), como potente interlocutor entre a verdade nua e crua do dia-a-dia e a obra de arte.Tendo a legitimidade das ruas como um dos mais fortes pontos em comum, essa fusão de linguagens se afirma como terreno ideal para a expressão e reflexão sobre o mundo: seus conflitos; seus fatalismos,inoperâncias, aspirações e utopias.

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ZAP!1 -O PRIMEIRO!!! 11/12/2008

Eis que finalmente o projeto sai do papel e ganha vida!
Há algum tempo vínhamos falando de fazer uma noite de "poesia falada" no Bartolomeu, porque tem tudo a ver com a nossa pesquisa e já era algo que estávamos desenvolvendo nos nossos espetáculos.
Na Frente 3 de Fevereiro, (outro coletivo do qual também faço parte), foi onde ouvi falar pela primeira vez em "slam" e "spoken word" (fizemos o espetáculo "Futebol" que era inteirinho nessa linguagem). Assisti o filme "Slam" com o inacreditável "slammer" Saul Williams (que exibimos nesse primeiro ZAP!), e o documentário "Slam Nation", onde vi pela primeira vez o tamanho "da coisa".
Entre 2007 e 2008, dentro de um projeto do Núcleo Bartolomeu chamado "Particularidades Coletivas", fui pesquisar sobre o assunto.
Dei uma procurada por aqui, e vi que ainda não tinha ninguém fazendo slams no Brasil. Tive a oportunidade de ir até o "Sarau da Cooperifa" fazer o lançamento do documentário "Zumbi somos nós" com a Frente 3 de Fevereiro. Era um lugar do qual eu só havia ouvido falar e que achei simplemente incrível, de uma diversidade impressionante,"povo lindo, povo inteligente" como bradava o Sérgio Vaz ,um dos organizadores do sarau.
Fiquei sabendo de vários saraus, de várias iniciativas legais envolvendo poesia, mas continuei não encontrando nenhum slam.
Em julho de 2007 , numa viagem a NY, tive a oportunidade de conhecer um slam ao vivo e em cores. Estive no Nuyorican Poets Café e no Bowery Poetry Club dois dos mais tradicionais clubes de poesia (e de slam) da cidade e pude ver de perto as batalhas. Descobri que existem mais de 500 comunidades de slam no mundo inteiro, nos países mais diversos.
Fiquei com muita vontade de fazer um slam no Brasil, e um ano depois, após a estréia do projeto "Particularidades Coletivas", do qual o meu solo de spoken words "Vai te Catar!" fazia parte, eis que inauguramos a Zona Autônoma da Palavra- o ZAP!
O sensacional , foi que logo de cara nesse primeiro, o povo compareceu em massa. O baguio bombou! Tivemos 13 inscritos para a batalha.
O clima foi de festa e parecia que a gente já fazia isso há anos...parecia até que todo mundo se conhecia, embora muitas das pessoas que estiveram por lá, eu jamais tivesse visto na vida. Todo mundo ficou a vontade e até o repórter do Metrópolis que foi lá pra cobrir o evento, se empolgou e decidiu participar de última hora.
Foi realmente muito legal ouvir o que os corações tinham a dizer e deu vontade de fazer mais e mais.
Os competidores da noite foram :Hugo, Emerson, Luciano, Thomas, Gal Quaresma, Carlos Alberto, Cidão, Carlão, Paulo Vinícius,Pedro Queiroz,Lilian, Debora, Ana paula.
O Zapeão foi o Luciano, que levou pra casa o prêmio: Livros ,livros! livros!
Foi uma noite memorável e com certeza a primeira de muitas...
Vida longa ao ZAP!

Roberta Estrela D' Alva